quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O sonho de um Brasil melhor


Hoje eu e minha tia conversávamos sobre a greve das escolas do estado de Goiás quando me recordei de um sonho agonizante, porém maravilhoso que tive esta noite.

No sonho, havia muitas pessoas, e eu mal podia vê-las, nada estava muito nítido. Lembro-me de gritar muito, com todas as minhas forças, até que pudessem me ouvir. Eu estava realmente muito alterada, e fazia exigências aos nossos governantes. As exigências eram simples de ser realizadas, e o sonho de muitas pessoas por aí.

Eu gritava por melhores salários para professores, bombeiros, policiais, enfermeiros, condições melhores para nossos caminhoneiros e garis, e quebra de todas essas mordomias para toda essa laia de corruptos que se espalha de norte a sul, de leste a oeste, na nossa nação verde e amarela.

Eu me fazia ouvir, mesmo sozinha, e exigia o cumprimento de tudo aquilo que eu queria. Não havia mais ninguém, só eu ali, gritando. Mas o meu grito e a minha força foram o suficiente para se instalar uma reforma em todo o país.

Os professores passaram a ser obrigados a fazer cursos de capacitação, para que soubessem como transmitir a matéria ao aluno, de forma que este ficasse interessado pelo assunto. Em troca de uma boa aula, receberiam um bom salário e teriam o seu valor retomado, começando pelo fato de os alunos os respeitarem, chamando-os pelos seus sobrenomes, o que os faria manter certa percepção de um professor não é um colega, mas sim, um mestre.

Os bombeiros e policiais, que arriscam suas vidas por nós, teriam condições de vidas melhores, mas também seriam muito mais cobrados. Qualquer ato de desrespeito a qualquer civil ou colega de profissão, seria severamente punido, e seria inadmissível qualquer ligação com bandidos ou traficantes, e a pena para tal, seria a prisão. Afinal, quem ajuda bandido, bandido é. Além de terem novos treinamentos, viaturas e armamentos.

Os enfermeiros, nossos queridos anjos que vestem branco, também teriam mais privilégios, mas igualmente também seriam cobrados. O atendimento nos PFS’s deveria melhorar 100%, afinal também seria investido muito dinheiro na saúde pública.

Nossos queridos e bravos caminhoneiros, que enfrentam o perigo para levar comida e produtos aos nossos lares, lembrando que se não fossem por eles faltariam muitos produtos na Europa, Ásia, Américas e etc., também seriam mais valorizados. O governo os ajudaria financeiramente para que não precisassem viajar à noite consumindo drogas como rebite, entre outros, que causam acidentes e mortes nas estradas. Mas estes também seriam cobrados, cobrar-se-ia honestidade dos mesmos para não desviassem os produtos que estão transportando.

Aos garis seriam dadas oportunidades de estudo e aprendizado. Cursos de capacitação profissional e ajuda para o ingresso em uma universidade, seriam de lei. E que assim, fizessem seu trabalho mantendo nossas ruas limpas e agradáveis. Mas o cidadão também teria de fazer sua parte não jogando lixo no chão.

Quanto aos nossos excelentíssimos políticos, passariam a receber um salário mínimo, vale transporte, auxílio moradia, pensão alimentícia, e seus filhos estudariam em escolas públicas. Em países como a Suíça, nenhum político reclama da sua condição de vida. Desta forma apenas pessoas interessadas no bem-estar da população, se candidatariam.

Mas é lógico que isso só daria certo com a ajuda de TODOS nós, brasileiros. Respeitando e cobrando dos professores, policiais, enfermeiros, garis, bombeiros e caminhoneiros, e fiscalizando nosso governo. Mas os mesmos, também teriam de fazer sua parte.

Eu não queria ter acordado, queria ter visto o desenrolar do meu sonho, e saber se tudo ficou só na teoria ou se na prática todos ajudaram e fizeram sua parte.

Cada povo tem o governo que merece, este é meu lema eterno.

Não adianta reclamar e não fazer, não adianta cobrar e não cumprir com os seus deveres.

A utopia do meu sonho me deixou até triste, porque foi apenas um sonho, mas quem sabe um dia esta seja a nossa realidade.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

O menino judeu - parte 1


Eu tinha 13 anos, quando comecei a me dar conta de tudo o que acontecia ao meu redor. Os sábados, as velas, as músicas, o idioma. Tudo aquilo que sempre esteve presente no meu dia-a-dia, agora se mostrava de uma forma nova e enriquecedora.

Nasci em São Paulo, em uma comunidade judaica, e estudei a vida inteira em colégio israelita. Ser judeu não era nenhuma novidade. As pessoas do meu meio eram iguais a mim.

A minha vida mudou radicalmente após o meu Bar Mitzvah. Meus pais passaram por dificuldades econômicas após um mau empreendimento e tiveram que fechar nosso restaurante, foi aí que nos mudamos para Minas Gerais.

O dia da despedida foi triste. As pessoas choravam e eu abracei meus amigos com força, pois talvez não voltasse a vê-los tão cedo. Mamãe tentava me acalmar, dizendo que logo voltaríamos, mas eu sabia que não era verdade. Meu irmão menor não entendia o que estava acontecendo, acho que por isso ele estava sorrindo.

Eu não queria ter que me mudar. Como eu ia entrar de repente em uma nova escola, em um novo bairro? E se os judeus de lá não fossem iguais aos daqui?

A viagem de carro foi longa, chegando ao hotel, deixamos nossas bagagens, papai foi se encontrar com seu novo chefe, e eu e meu irmão saímos com a mamãe para procurar uma casa ou apartamento. Meu pai iria ganhar um bom dinheiro.

Era sexta, e naquele sábado, rezamos dentro do quarto do hotel. Não acendemos velas, o que eu achei estranho. Mas mamãe explicou que as pessoas ali não entendiam nossos costumes. Naquele Cabala Shabath senti muita saudade da nossa casa e do nosso bairro, aonde todos guardavam o sábado.

Em uma semana já tínhamos alugado um bom apartamento, não tão grande quanto a nossa casa, mas ainda assim bom. Nossa mudança chegou e nos encarregamos de tentar arrumar. Foi mais rápido do que pensei.

Papai arrumou todos os objetos sagrados, e juntos colocamos a Mezuzá na porta, a cada dia nosso apartamento se tornava cada vez mais um lar judaico, e eu enfim ia me sentindo em casa.

Nosso primeiro shabath na nova casa foi um tanto quanto estranho. Mamãe estava ansiosa por demais que tudo saísse perfeito para que eu e meu irmão sentíssemos que ainda éramos judeus, apesar de não termos vizinhos judeus, ou sequer ter conhecido algum desde que chegamos naquela cidade. Mas sentado àquela mesa, rezando e celebrando, percebi que acontecesse o que acontecesse, jamais deixaríamos de ser uma família.